sábado, setembro 23, 2006

The End

Não há mais poemas nem canções para ti...

sábado, setembro 16, 2006

De escuro vestem-se entrelaçados fios em minha mente.

terça-feira, setembro 12, 2006

o Rubicão

Dizes-me que o rio era o Rubicão
Mas quando o passei eu não sabia
Talvez fosse melhor assim, então
Se calhar não o atravessaria

Inveja de quem está morto.

Será que sou o único a ter inveja dos mendigos? Desses seres a quem a vida passou o pedigree de coitadinhos. Inveja de sofrer males terríveis passíveis de por todos serem assobiados. Coisas indescritíveis, azares horríveis.
Sofrer porque se fez más escolhas, ou porque os pais nos deixaram. Por causa do vício da bebida, ou da droga. Ter um filho do qual não sei o paradeiro, algumas doenças venéreas. Ser órfão, teso, corno. Cheirar mal por necessidade e não por opção.

Não conseguir juntar sílabas para formar palavras, errar todos os raciocícios, ser demente, compulsivo. Estar preso por um colete de forças numa qualquer instituição de caridade. Ser avançado de idade.

Paraplégico, cego, surdo-mudo, vegetal. Ser meio-besta. Estar morto.
Nunca tiveram inveja de ter uma razão para se sentirem mal, quando não conseguem expulsar o animal?

segunda-feira, setembro 11, 2006

Exausto de sentir fecho os olhos
para os abrir novamente segundos depois
num intermitir de carícias ausentes
e indefinições presentes.

Se não escrevo o que se me passa afundo
Varre-se-me para retornar num segundo
O meu pensamento é uma anémona
Chutada para cá e para lá sem que se lhe toque.

Vagas do mar, correntes do rio
levem-me, vejam, estou preso num fio.
Ondas da praia, remoinhos de areia
puxem, arranquem, estou preso na teia.

quinta-feira, setembro 07, 2006

puzzle

Porque não pode tudo ser perfeito?
Ou pelo menos igual ao que imaginei.
Ser completo, sem defeito
ou se não puder, pelo menos o que amei.

Porque não pode tudo ser diferente?
Fogaz, divertido, supreendente
Com ganas de sentido, giro
branco, astuto como um suspiro

Porque é que quando as coisas começam a bater certo
Há sempre algo que não encaixa?
Será que sou mesmo deste puzzle,
Ou ter-me-ei enganado na caixa?

sábado, setembro 02, 2006

Se o meu coração não fosse desfasado com a mente
as emoções não batessem a um ritmo diferente
se os meus pensamentos não dançassem em turbilhão
e o amor não fosse uma triste canção

Se as cortinas do meu peito estivessem corridas para ti
e as anginas do respeito não te quisessem aqui
se as cordas da minha fala não rasgassem de roquidão
de gritar em surdina salivando o colchão

As coisas correriam como toda a gente queria
O mundo encher-se-ia da mais alta sabedoria
E os abraço que demos ainda estaria quente

Mas se assim penso, ajo e reflicto
Se estou sempre alerta, constantemente aflito
É porque por ti estou lucidamente demente.