sexta-feira, junho 16, 2006

Está escuro como quando fechamos os olhos depois de os taparmos com as mãos. Escuro de finalizar-se. No escuro há manchas brancas de imaginação e um espaço enorme por trás de uma claustrofobia que implode. Há receio e tacto.

No escuro há tudo o que se pode imaginar, mas nada de concreto. Há fantasmas e ilusões ao quadrado dentro de um círculo que suga em espiral. Há quimeras num futuro bem passado.

Dentes de leão e escamas de dragão. Ursos que nadam em rios fingindo-se salmão.

Há a demência de quem foca no escuro e descobre loucura nos outros.

No escuro da noite funda há uma lua que se esconde e um sol ausente. E as próprias estrelinhas apresentam a sua demissão.

Nunca houve luz dizem elas, e apagam assim os seus archotes... Inglória.

No escuro não há razão e a própria existência é posta em causa.

Penso logo existo. Mas penso o quê?

1 comentário:

Priscila Santos disse...

love your conclusion...