Está escuro como quando fechamos os olhos depois de os taparmos com as mãos. Escuro de finalizar-se. No escuro há manchas brancas de imaginação e um espaço enorme por trás de uma claustrofobia que implode. Há receio e tacto.
No escuro há tudo o que se pode imaginar, mas nada de concreto. Há fantasmas e ilusões ao quadrado dentro de um círculo que suga em espiral. Há quimeras num futuro bem passado.
Dentes de leão e escamas de dragão. Ursos que nadam em rios fingindo-se salmão.
Há a demência de quem foca no escuro e descobre loucura nos outros.
No escuro da noite funda há uma lua que se esconde e um sol ausente. E as próprias estrelinhas apresentam a sua demissão.
Nunca houve luz dizem elas, e apagam assim os seus archotes... Inglória.
No escuro não há razão e a própria existência é posta em causa.
Penso logo existo. Mas penso o quê?
sexta-feira, junho 16, 2006
Espera.
Espera.
Só mais um pouco.
Mesmo que tenhas esperado a tua vida inteira.
Puseste-te na fila, mas não sabes onde leva.
Não te perguntes agora.
Não duvides, pois já esperaste tanto tempo.
Não queres que a toda a tua espera tenha sido em vão.
Qualquer coisa há-de vir.
Esperar já é qualquer coisa.
Por isso...
Espera.
Só mais um pouco.
Só mais um pouco.
Mesmo que tenhas esperado a tua vida inteira.
Puseste-te na fila, mas não sabes onde leva.
Não te perguntes agora.
Não duvides, pois já esperaste tanto tempo.
Não queres que a toda a tua espera tenha sido em vão.
Qualquer coisa há-de vir.
Esperar já é qualquer coisa.
Por isso...
Espera.
Só mais um pouco.
sábado, junho 10, 2006
Uma qualquer longínqua praia prateada rodeada por um mar azul transparente. Eis a imagem que a música evocava na sua mente. Uma qualquer praia onde os tubarões não fosse, os coqueiros abundassem, um ribeiro de águas límpidas corresse rumo às ondas desperdiçando a cada segundo alguns litros de líquido de vida.
As ilhas são uma imagem preferida, algo de místico encerra-se numa ilha, rodeada assim por oceanos, mares, rios ou lagos. Tem o seu quê de privacidade, de segurança rodeada de perigosidade. As ilhas nunca são de fácil acesso (se o fossem deixavam de ser ilhas, para ser por exemplo penínsulas), e isso atrai-nos nelas. É uma sensação de que somos os únicos a lá chegar, a ilusão de que ali estamos a salvo do restante da humanidade, que aquele pedaço é só meu... ou nosso.
As ilhas atraiem as pessoas, porque as pessoas também são ilhas.
As ilhas são uma imagem preferida, algo de místico encerra-se numa ilha, rodeada assim por oceanos, mares, rios ou lagos. Tem o seu quê de privacidade, de segurança rodeada de perigosidade. As ilhas nunca são de fácil acesso (se o fossem deixavam de ser ilhas, para ser por exemplo penínsulas), e isso atrai-nos nelas. É uma sensação de que somos os únicos a lá chegar, a ilusão de que ali estamos a salvo do restante da humanidade, que aquele pedaço é só meu... ou nosso.
As ilhas atraiem as pessoas, porque as pessoas também são ilhas.
terça-feira, junho 06, 2006
Ontem estiveste pertinho de mim, como tantas vezes fazias. Hoje estamos longe como se não existissemos. A diferença que faz um dia, umas horas.
Ontem estava feliz no teu regaço porque não pensava em ti. Voltar do Nirvana é complicado. Nada me diz, nada. Nem mesmo tu. Até que estejas comigo outra vez, um dia em que a minha mente decida parar. Assumirás esse teu corpo, ou outro. Uma qualquer pose, um qualquer vestidinho. Juntarás as mãos uma na outra, cantar-me-ás uma canção, encostarás a tua cabeça no meu ombro, mesmo que isso nunca aconteça. Assim o farás.
Como é que o bem pode ser tão mau?
Quando é inconsequente.
Ontem estava feliz no teu regaço porque não pensava em ti. Voltar do Nirvana é complicado. Nada me diz, nada. Nem mesmo tu. Até que estejas comigo outra vez, um dia em que a minha mente decida parar. Assumirás esse teu corpo, ou outro. Uma qualquer pose, um qualquer vestidinho. Juntarás as mãos uma na outra, cantar-me-ás uma canção, encostarás a tua cabeça no meu ombro, mesmo que isso nunca aconteça. Assim o farás.
Como é que o bem pode ser tão mau?
Quando é inconsequente.
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