O rapaz escrevia, a pena fluía. O papel absorvia a tinta como se de uma esponja se tratasse. Agora um jovem aparentando uns vinte anos bem vividos, olheiras marcadas no rosto apesar de ser apenas observado à distância, esbracejava em bicos dos pés quase na ponta do passeio, caindo sua figura alta mas mesmo assim curvada sobre a negra estrada. O seu cabelo quase vermelho ardia ao sol abrasador, mas isso não intimidava o jovem de sardas. Este mantinha-se no seu dever como se de cumprir um voto sacerdotal se tratasse, e nem o suor que lhe escorria pelo rosto e que se agrupou numa gota na ponta do nariz o demoveu de seu esforço valente em chamar um táxi debaixo de tamanho calor e correria.
Era a hora de ponta, as pessoas atarefadas em chegar novamente ao ponto de partida do qual tinham fugido apenas uma horas antes, tinham dificuldades em levantar o nariz do chão, e se um ou outro par de olhos porventura se dignasse em fixar aquela cena, depressa passaria à necessidade mais urgente de colocar um pé à frente do outro na calçada gasta e falsa sem que a mente chegasse a assimilar aquela imagem insólita mas corriqueira de um gigante vermelho, suando e vestindo fato completo azul escuro, tentava a todo o custo chamar um táxi livre enquanto se esquivava de um smart último modelo.
Caricato, só o que se passaria a seguir, pois o rapaz por instantes parara de escrever…
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